Quarta-feira, Agosto 05, 2009
tempo...
Entro aqui como o dono do bar que fechou. Olho as mesas vazias que já abrigaram garrafas e pratos e que agora abrigam cadeiras, que já abrigaram bundas.
Ouço o silêncio que já abrigou o murmurinho de opiniões, tilintar de copos, abrir de rolhastampas, cair de talheres, pisar de sapatos e pés descalços, gaguejar de discos riscados, tapas na cara, gargalhadas, dobrar de jornais, pigarros de nicotinalcatrão, suspiros e olhares. No balcão eu conto cada um dos cotovelos que pediu bebida ou arrego.
O curioso é que o bar não fechou.
Bares não fecham, tiram férias. Saem para dar uma volta. Sacodem a poeira, talvez de antigos clientes, talvez de antigos hábitos, talvez de si mesmos, talvez para mudar de dono. O bar com as portas fechadas é repositório de tudo o que se passou ali dentro. No silêncio e no escuro as coisas todas são, o tempo todo.
Acontece que em tempos de facebook e twitter o boteco teria que abrir todo dia, oferecendo novidades a cada 15 minutos para manter a clientela entretida.
Cá pra nós, garçom nenhum tem saúde para tanto malabarismo, nem fôlego pra tanto assunto, nem fígado pra tanta sabedoria.
E esse garçom anda meio convencido que nem sempre falar demais é falar bem - não que falar de menos signifique falar bem...existem idiotas prolixos e idiotas silenciosos. Mas entre os dois, prefiro ser um idiota silencioso, que pelo menos aí eu consigo calcular o tamanho das bobagens que eu disse e seu respectivo estrago na minha já arranhada reputação de escritor de bobagens e blogueiro inconstante.
Por favor, não considerem isso aqui uma crítica/repúdio à rapidez com que a informação anda se espalhando.
É que estou aqui ouvindo música, bebericando cerveja e cachacinha. Renata está aqui ao lado e a gente se gosta. As coisas vão bem. Eu gosto de tudo, e achei que isso rendia mais do que 140 toques ou um link para algo que alguém em outro lugar do universo escreveu.
E desculpem, mas só vou escrever nesse espaço de novo quando eu achar que tenho algo realmente importante pra dizer. Bobagem ou não.
E por falar em coisas importantes, a coisa mais importante que aconteceu nos últimos tempos fora o retorno da Renata foi eu ter parado de fumar. Mas isso é assunto para outro post.
Domingo, Junho 07, 2009
Demônios da Garoa
Eis que ontem, 6 de junho, eles se apresentaram no Sesc Pompéia para comemorar o lançamento do livro do jornalista Assis Ângelo, que se lançou à tarefa de compilar a rica história do conjunto em um volume de duzentas e tantas páginas.
Esbanjam jovialidade os Demônios, como vocês mesmos podem conferir nesses videozinhos muito chinfrins que fiz com o celular. O que se perde em qualidade de vídeo, porém, ganha-se em diversão...olha aí.
As Mariposas
Piadinha...
Sábado, Maio 09, 2009
Profissão: jornalista
Vale mais um diploma de jornalista adquirido nas coxas de universidades caça-níquel ou a experiência de um profissional forjado no fogo de uma redação? E reparem que fui absolutamente subjetivo nessa proposição, bem à moda dos articulistas, tão em moda na nossa imprensa onde se obriga o diploma para o exercício da profissão de jornalista (e fui subjetivo de novo, tá?).
De um lado, o medo de que as porteiras das redações sejam abertas a qualquer idiota com qualquer idiotice a ser dita.
De outro, o medo de que as porteiras das redações fiquem fechadas para que idiotas selecionados digam suas idiotices.
Afinal, é um pedaço de papel que vai dizer que eu tenho "what it takes" para ser um jornalista?
Afinal, "what it takes" para ser um jornalista? Vocação? QI - o mensurável ou o indicável? Sangue azul? Sangue preto de tinta de impressão?
Sei que, por alto, na minha sala de aula, dos 42 proto-jornalistas, devem se tornar profissionais uns 5. E olhe lá!
Precisa de tanto trabalho-tempo?
Será que não mais-valia jogar o povo na redação pra ver no que dava?
Sei lá. Tou perguntando.
Sei que segundo o Observatório de Imprensa as coisas aí por fora das nossas porteiras funcionam assim, abrindo aspas:
A profissão pelo mundo
Assim como o Brasil, muitos países regulamentaram o ofício apenas no século 20. O Conselho Europeu de Deontologia do Jornalismo estipulou, em 1993, que os profissionais da área devem ter uma formação adequada. Essa formação varia de país para país, podendo ser horas de trabalho ou cursos.
** Alemanha: a profissão é regulamentada por meio do reconhecimento conjunto, por parte das empresas jornalísticas e das organizações profissionais, de um período de aprendizado prático de 18 a 24 meses.
** Argentina: para trabalhar como jornalista, não é necessário diploma universitário em qualquer área; basta provar que se atua na profissão.
** Bélgica: no país existe uma organização profissional que reconhece a ausência de impedimentos para o exercício da profissão. Mas existem vantagens salariais para os diplomados.
** Chile: não é necessário estar ligado a qualquer órgão de imprensa para exercer o jornalismo nem ter diploma universitário para desempenhar a função.
** Dinamarca: o acesso à profissão é condicionado à licença emitida pelo sindicato nacional dos jornalistas.
** Espanha: as regras no país são: ter nacionalidade espanhola, inscrição no registro de jornalistas e também a posse de diploma em Ciências da Informação ou experiência profissional entre dois e cinco anos.
** França: não há obrigatoriedade de qualquer formação superior.
** Grã-Bretanha: é necessário um estágio em empresa jornalística ou curso preparatório do Conselho Nacional de Treinamento de Jornalistas.
** Grécia: no país, existem duas opções: diploma em Jornalismo ou experiência de três anos na área.
** Itália: a profissão é regulamentada desde 1963, porém, desde 1908 é reconhecida legalmente. Não há obrigatoriedade de formação superior, mas para trabalhar é necessário o registro na ordem dos jornalistas, que é concedido somente após um estágio de 18 meses, comprovação de, pelo menos 45 horas de curso, e aprovação em um exame de proficiência.
Terça-feira, Maio 05, 2009
Virada Cultural 2009 - um apêndice
Afinal de contas, o que tem de diferente naquilo que cantam o Odair, ou o Benito di Paula, ou o Wando se comparados com grandes monstros masters da música brasileira?
Se esses falam de coisas como romance, traição, dores-de-cotovelo, não o fazem também Jobins, Buarques, Vinicius e Gilbertos?
(Tenho que tomar cuidado com esse post, corro o risco de falar bobagem ou inflamar ânimos).
Tenho pra mim que a grande diferença entre esses artistas esta na forma como se traduzem os mesmos sentimentos.
Tem gente que se emociona com Chico cantando "Eu te amo", tem gente que se esbalda com Odair cantando "Doméstica". No limite não estão falando das mesmas coisas?
Mais lenha na fogueira foi inconscientemente colocada pelo Lucas quando me mostrou um artigo do Diogo Mainardi na Veja Online (não vou me dar ao trabalho de linkar...busquem aí, se tiverem saco).
No dito, Dieguito - el pela saco - faz uma crítica dos shows do Radiohead e do Kraftwerk em SP mês passado. Usa o espaço pra dizer que não gosta, não vê sentido, sente que sua geração foi perdida musicalmente. Tudo com sua verve punheteira característica.
O amor do cara pelo próprio umbigo não é o ponto onde quero tocar.
O ponto é que tem muita gente que se preocupa demais com forma e esquece um pouco do conteúdo. ( Os belos livros da Cosac-Naify não seriam mais um sintoma desses tempos?)
Não estou pregando um libelo a favor da música brega, mas também não estou fazendo o inverso. A pergunta é clara: quando falamos de arte, não estamos jogando com os mesmos sentimentos humanos desde sempre, independente do pacote?
Domingo, Maio 03, 2009
Virada Cultural 2009
Notamos algumas coisas como a maior quantidade de banheiros, a maior quantidade de informação sobre os palcos (toda esquina exibia totens com direção para os palcos e programação de cada um deles) e maior quantidade de bêbados.
Foi uma turma boa, representando as amizades distantes: Renê, Cabral e Bi, Herbert e Débora, a Jéssica - representando os colegas da Unip - e eu.
Abrimos os trabalhos na casa do Herbert e com o show do grande Benito di Paula, visivelmente bêldo e genial...Não faltaram clássicos como "Meeeeu amigo Charlie Brown" e outros de que não lembro.
Findo o show, demos um rolê pra ver o show do Joelho de Porco no palco dos roqueiros na República, mas pintou uma certa urgência, causada pelo alto consumo de cerveja e de uma bebida que a Bi descolou, que tinha o sugestivo nome de "pau do índio". A petizada precisou fazer xixi.
Até então, não tinha me atinado que agora sou possuidor de um celular que faz vídeos razoáveis e que podia postar os vídeos aqui pra dar uma idéia da festa pra vocês, mas consegui capturar o momento em que buscamos esse item raro para as mulheres: banheiro limpo e com papel:
Daí eu tive um pequeno piriri causado por um filé de brontossauro consumido no almoço e acabei indo pra casa cedo, o que até foi bom porque eu tinha planos de ver o show do Nação Zumbi ao meio dia do domingo. Vi o dito com o Herbert e a Débora.
Depois do Nação, Herbert e eu fomos ver Odair José, no mesmo palco onde já tinha se apresentado Benito di Paula. Se tivesse que votar no melhor palco da virada, votava nesse. Taí um videozinho que mostra um momento inusitado do show.
Por fim, uma homenagem pra Renata, na voz do grande Odair...
Sexta-feira, Abril 24, 2009
Sem idéias...

Comentava com o Lucas agora, enquanto fuçava na internet e trombava com esse site: como pessoas que sabem desenhar se saem muito melhor com a falta de assunto do que as pessoas que sabem escrever apenas.
O cidadão deita o lápis no papel e logo vem quinhentas e vinte e cinco imagens fabulosas e que não querem dizer absolutamente nada mais do que "estou sem idéias"...
invejinha...
Quarta-feira, Abril 08, 2009
Obrigado por não fumar
Seu Osvaldo, dono do bar perto da unidade Vergueiro da UNIP, perguntado sobre a possibilidade da votação da moção, filosofou:
- Se passar, essa porra desse bar vira um bar de fumantes e pronto!
Juninho, colega de classe e cronista das mazelas tabagísticas postou aqui sua opinião.
Eu me pergunto se eu tenho saúde pra entrar nessa rusga.
Digo só que fumante é um ser dócil, facilmente reproduzido em cativeiro. Apanhamos e aguentamos cara feia - dos vizinhos de mesa no bar à da senhorinha no ponto de ônibus que achou de parar do nosso lado mesmo vendo que estávamos fumando só pra fazer cara feia. Aguentamos os comentários de anti-tabagistas de plantão no escritório ( Puta cheiro de cigarro aqui!). Aguentamos a imposição do fumódromo, humilhação máxima, em que fomos reduzidos a atração de circo para os filhos babões de adeptos da geração saúde: "Olha filho, aquilo ali é um fumante...é um ser bem sujo que só não se reproduz porque é broxa".
Resumindo, ou paramos de fumar ou seremos expulsos para guetos.
Veríssimo, em uma crônica genial, propunha diferentes versões da terceira guerra mundial e uma delas seria entre fumantes e não-fumantes. Tem gente que está se esforçando pra que a ficção vire realidade.
